sábado, maio 07, 2011

Destruição de azevinhos no Buçaco

"A Quercus já tinha alertado, em Agosto de 2009, para a falta de gestão do Perímetro Florestal do Buçaco após ter sido detectado um forte ataque do Nemátodo da Madeira do Pinheiro, doença que provoca a murchidão e a morte dos pinheiros afectados. Agora com o abate fitossanitário do pinhal, os madeireiros contratados estão a destruir o maior núcleo de azevinhos protegidos em Portugal perante a passividade da AFN - Autoridade Florestal Nacional."

É lamentável e mostra o país que somos!... Um país que se permite destruir assim a sua riqueza, o seu património, não admira que tenha chegado ao fundo do poço!!!...

Notícia a ler na íntegra no "Boletim da Quercus"

sexta-feira, março 18, 2011

O fim do Puma Americano?


Hoje é um dia triste!... Os cientistas decretaram oficialmente extinto do belo "puma americano".
A notícia pode ser lida aqui ...

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

"Aumento de chuvas no hemisfério Norte só é explicado pelas alterações climáticas"

«“Factor humano” é o título da capa da Nature, e põe o dedo na ferida com uma fotografia de casas inundadas pelas chuvas. Dois estudos publicados na edição desta quinta-feira da revista relacionam pela primeira vez o aumento de precipitação que está a acontecer na Terra com as alterações climáticas derivadas da actividade humana.» 

(In Ecosfera - Público, para aceder ao artigo completo "clicar" aqui ou no título do artigo)

sábado, novembro 06, 2010

Habitatz


Habitatz é uma iniciativa da Comissão Europeia, de abrangência nacional, que aborda a biodiversidade de uma forma artística e com uma linguagem adaptada aos mais jovens, principalmente, através da utilização de máscaras hiper-realistas de 'espécies-estrela' do nosso país, com intervenções nas escolas, comboios, Centros de Informação Europeia e nos centros/baixas das cidades. Para conhecer melhor o projecto ver: www.habitatz.eu

sexta-feira, setembro 17, 2010

The Smiths - Meat is murder


Peço desculpa pela fraca qualidade da imagem e do som, mas era o único vídeo disponível com a letra original, e em português, embora do Brasil. Um grande passo para sustentabilidade, para a ecologia, para a saúde mental e pública!....Ser vegetariano é ser mais humano! Obrigado Morrissey!

quinta-feira, setembro 16, 2010

Conferência "Crime e Ambiente" na UFP


Os núcleos de Criminologia e Ambiente da Universidade Fernando Pessoa promovem uma conferência intitulada "Crime e Ambiente" no próximo dia 23 de Setembro, no auditório da UFP, em Arca de Água, no Porto.

terça-feira, agosto 31, 2010

Quercus organiza II Jornadas de Arquitectura Sustentável

Três dias dedicados a práticas sustentáveis para as cidades de hoje. 

18 Set, 23 Out e 27 Nov - Biblioteca Mun. Almeida Garrett, Porto

A partir do próximo mês de Setembro o Núcleo Regional do Porto da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, organiza a sua segunda edição das Jornadas de Arquitectura Sustentável. Em virtude do sucesso da edição anterior, as jornadas deste ano, que terão lugar nos dias 18 de Setembro, 23 de Outubro e 27 de Novembro de 2010 na Biblioteca Municipal Almeida Garrett irão sensibilizar para a importância de uma arquitectura mais sustentável.

Mais informação em: Boletim informativo da QUERCUS

sexta-feira, agosto 20, 2010

A tragédia dos incêndios...e do Gerês (via Bioterra)

Nas últimas semanas Portugal tem sido devastado pelos incêndios. Milhares e milhares de hectares de floresta e mato foram arrasados em poucas horas, em poucos dias. Santuários naturais como o Parque Nacional da Peneda-Gerês perderam o verde que os caracterizava. No combate às chamas morreram bombeiros, vidas que se perderam a tentar travar a catástrofe. Foram feitas detenções de vários indivíduos suspeitos de fogo posto e tecidas críticas à coordenação no combate às chamas.


Esta terça-feira, ficou a saber-se que desde o início do ano e até domingo passado, Portugal registou 70 mil hectares de área ardida. Os números foram avançados pela Autoridade Florestal Nacional. (Ver notícia completa no BIOTERRA)

quarta-feira, junho 16, 2010

Parque do Gerês classificado como reserva da biosfera



"Dia 22 de Maio de 2010 celebrou-se o Dia Internacional da Biodiversidade e nesse âmbito Portugal recebeu um diploma da UNESCO para o parque transfronteiriço do Gerês/Xurês, classificado como uma reserva da biosfera.

Trata-se de uma iniciativa da UNESCO para salientar e premiar os parques de preservação da biodiversidade e de habitats naturais."

Para mais informação "clicar" aqui ou na imagem acima.

quinta-feira, abril 01, 2010

No reino dos imbecis...

Estradas de Portugal efectuam podas abusivas em árvores centenárias na EN

"A Quercus recebeu recentemente denúncias sobre o abate e podas abusivas em dezenas de árvores centenárias autóctones, a maioria carvalhos-alvarinhos e freixos, sem problemas fitossanitários que justificassem este tipo de intervenção, na berma da Estrada Nacional n.º 226, entre Ponte do Abade, no concelho de Aguiar da Beira, e Trancoso, no distrito da Guarda."

sexta-feira, novembro 13, 2009

Estudo da Comissão Europeia conclui que Plano de Barragens viola Directiva da Água

A Quercus teve ontem conhecimento, através de uma notícia divulgada na SIC, que um estudo de avaliação da Comissão Europeia ao Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), também conhecido como Plano de Barragens, concluiu que o referido Programa viola a Directiva-Quadro da Água. De acordo com a notícia o estudo da Comissão considera que os impactos negativos destas novas barragens sobre a qualidade da água dos rios não foram devidamente avaliados, avançando mesmo que caso as dez barragens sejam construídas Portugal não conseguirá cumprir a Directiva em matéria de qualidade da água. (...)
Artigo completo a ler no boletim informativo da QUERCUS

quinta-feira, setembro 17, 2009

Quinta do Paço da Serrana...a vergonha!!!!


Cerca de duas décadas de domínio municipal foram suficientes para destruir um património inestimável, construído ao longo de séculos. Obviamente que o "azar" da Quinta do Paço não foi o incêndio que aí deflagrou ontem, mas sim o de ter passado a pertencer a uma autarquia acéfala, laxista; insensível e irresponsável... Uma instituição pública onde a palavra cultura não cabe sequer no vocabulário. Em cerca de duas décadas a Câmara de Cinfães nada fez para que aquele espaço fosse mantido e preservado. Pelo contrário, permitiu a sua vandalização e destruição, nada fazendo para evitar o que agora sucedeu, embora os alertas tenham sido lançados incessantemente...
Sei do que falo! Senão vejamos:
1. Fui talvez a primeira pessoa a escrever sobre as possibilidades da quinta no já longínquo ano de 1985, ainda a propriedade pertencia à Família Serpa Pinto.
2. No ano seguinte publiquei um novo artigo onde alertava para a degradação de todo aquele património (mal sabendo eu que seria muito melhor que as coisas se mantivessem como estavam...).
3. Em 1995, participei num concurso público de arquitectura, lançado pela câmara que foi de tal forma boicotado que, até hoje, não foi publicado o resultado. A minha era a única proposta que cumpria todos os requisitos... E a própria vice-presidente (que fazia parte do júri) afirmou publicamente, em determinada altura, que a minha havia sido a proposta escolhida!...
4. Posteriormente, aquando do 1.º Programa Leader para a região, em que foi criado o "Centro Rural de Ribadouro", propus o aproveitamento e adaptação da Quinta do Paço para os fins que estavam previstos no concurso camarário e ainda como pólo de residência e atelier de artistas, etc... A ideia acabaria por não ser sequer aproveitada pela câmara que acabou por perder o dinheiro para o vizinho concelho de Baião!...
5. Mais recentemente, a Associação Por Boassas (APOBO) propôs a classificação de todo o maciço arbóreo fosse classificado como Património de Interesse Público (parte já era Reserva Ecológica). Embora o parecer da Direcção Geral das Florestas tenha sido favorável (que publicamos aqui parcialmente), o processo nunca teve um desfecho porque a autarquia não se mostrou interessada na classificação.
6. Nesse mesmo documento a DGF propunha-se identificar as espécies arbóreas e arbustivas e também à própria limpeza dos espaço, o que, obviamente nunca veio a suceder!...
7. Em reunião com o próprio presidente da autarquia, apelando à sensibilidade e necessidade de classificação de todo aquele espaço, a resposta não se fez esperar: "a classificação poderia ser contrária aos interesses CONSTRUTIVOS dos projectos em curso" (!!!!!)....
8. Alertei também para a necessidade da elaboração de um plano feito pela própria autarquia para ser usado como fio condutor de qualquer projecto que ali pudesse ser feito, tendo-me sido dito, sintomaticamente, que: (sic) "não está no âmbito da câmara esse tipo de acções" (!!!!!)...
9. Posteriormente, falei ainda com a presidência sobre a possibilidade de uma parceria (com grandes possibilidades de financiamento) internacional com a Holanda, tendo-me feito acompanhar para uma reunião pelo responsável das "Villages of Tradition" e gestor do programa "Leader" daquele país o Sr. Frits Schuitemaker. A ideia era uma parceria internacional, já que na aldeia holandesa de Frits se estava a construir um museu dedicado a um explorador local chamado Abel Tasman (o descobridor da Tasmânia). O desinteresse demonstrado foi de tal modo constrangedor que a ideia praticamente morreu logo ali.
10. Devo ser das pessoas que melhor conhece o espaço e a que mais elementos possui sobre a quinta (possuo o levantamento de todas as construções, com fichas identificativas e descriminativas de materiais, estado de conservação, localização, etc.; levantamento fotográfico de todo o património construído; plantas de zonamento; de áreas agrícolas e florestais; rede e estruturas hídricas; etc...). Apesar disso NUNCA me foi pedida qualquer informação, parecer, ou opinião sobre aquele espaço!

Por tudo isto, hoje, e pela primeira vez, sinto vergonha de ter nascido em Cinfães!

Manuel da Cerveira Pinto
(Professor Universitário, Mestre Arquitecto, doutorando em arquitectura na Universidade de Valladolid e vice director do Jornal Miradouro)

sexta-feira, junho 05, 2009

"Anima Mundi" no Dia Mundial do Ambiente


Anima Mundi (1991) é um pequeno documentário realizado por Godfrey Reggio, com música de Philip Glass. A beleza do mundo na poesia da música e das imagens.

domingo, maio 03, 2009

Governo quer reduzir as multas ambientais

O saque continua e aumenta de intensidade!... Depois de vilependiarem a Reserva Ecológica; a Reserva Agrícola e de permitirem construções escudados em supostos PIN's (projectos de interesse nacional), pretende agora o governo diminuir o peso das multas sobre os crimes ambientais. "Uma vergonha"... refere o jornal Público.

sexta-feira, maio 01, 2009

Contra as alterações à RAN (Reserva Agrícola Nacional)

Já aqui havíamos falado sobre mais este atentado ao ambiente, à ecologia, aos recursos do país e ao futuro das gerações vindouras, mas foi ao ler o sempre presente BIOTERRA que tivemos conhecimento do artigo de Ana Fernandes no jornal "Público" e da petição que se encontra a circular em defesa da Reserva Agrícola Nacional e que, com a devida vénia e agradecimento, transcrevemos a seguir:

Em defesa da Reserva Agrícola Nacional (RAN)

Por Ana Fernandes in Público de 29-04-2009


«Portugal já não é rico em solos férteis, mas uma recente legislação veio retirar a garantia de que os que existem serão preservados. É esta a principal crítica (e preocupação) de um grupo de cidadãos que pôs a circular na Internet uma petição em defesa da Reserva Agrícola Nacional (RAN).No final do mês passado, foram aprovadas alterações ao regime da RAN que, segundo os subscritores, não melhoraram a lei anterior, antes a alteraram por completo. Por isso, apelam a que os deputados à Assembleia da República introduzam alterações que permitam que os solos sejam salvaguardados para a produção de alimentos.

A petição foi posta a circular na segunda-feira em reserva-agricola-nacional e já conta com cerca de 450 assinaturas, entre as quais a do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, um dos ideólogos das reservas agrícolas e ecológicas nacionais.

Os subscritores da petição criticam algumas das alterações introduzidas, as quais, referem, foram escamoteadas ao escrutínio público durante a preparação do diploma. Permitir a incondicional florestação dos solos agrícolas, excluir da RAN áreas destinadas a habitação, actividades económicas, equipamentos e infra-estruturas (subalternizando a defesa dos poucos solos férteis do país a necessidades que podem ser colmatadas de outras formas) e as numerosas utilizações de áreas da RAN para outros fins são as principais questões apontadas.

Uma das principais críticas tem a ver com o facto de se prever que a delimitação da RAN tenha em atenção outros usos para o território. E argumentam que esses usos podem procurar localizações alternativas enquanto o solo agrícola tem uma localização única, cada vez mais rara no contexto nacional, e insubstituível.»

Petição aqui e aqui

"Campanha da EDP subverte realidade sobre barragens"

A QUERCUS chama a atenção para uma campanha publicitária multimilionária, produzida em larga escala e que utiliza a técnica do "greenwash" para vender a ideia de que a construção de barragens é benéfica para a bio-diversidade e para o meio-ambiente. Já nos tinha chamado a atenção o disparate. Trata-se indubitavelmente de tentar "vender gato por lebre". Uma empresa que apresenta lucros de milhões usa a estultícia com o maior despudor, tentando manipular a opinião pública, para que os (seus) interesses económicos não sejam prejudicados... Triste sinal dos tempos!...
(Para ler o artigo publicado no boletim informativo da QUERCUS, "clicar" na palavra sublinhada, ou aqui.)

quarta-feira, abril 29, 2009

quinta-feira, abril 23, 2009

Alemanha proibiu o cultivo de milho transgénico!...

"Mon 810 é cultivado em Portugal. Espanha é dos maiores produtores em toda a União Europeia."

"A Alemanha decidiu juntar-se ao grupo de países europeus que já proibiram o cultivo do milho transgénico por temer o impacto que este possa ter no meio ambiente e na vida humana. Na lista estavam já outros Estados membros como a França e a Grécia.(...)"

Artigo de Patrícia Viegas no Diário de Notícias de 14 de abril a ler na íntegra aqui...
Também no Bioterra

segunda-feira, março 02, 2009

Artigo de Clara Ferreira Alves no "Expresso"

Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.

Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.

Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.
Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo normal" e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.
Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.
Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.
E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.
Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos?
Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático? Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?
Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.
No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?
As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?
E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?
Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?
E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?
E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda,*/coxa e marreca.
Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.
Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.
Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de protecções e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.
Este é o maior fracasso da democracia portuguesa
Clara Ferreira Alves - "Expresso"/*

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Boassas. Uma Aldeia Com História


Costuma-se dizer que "mais vale tarde do que nunca"... Pois, aí está! Foi finalmente editada a monografia sobre Boassas. O desenho gráfico é de Armando Alves e a edição é do Jornal Miradouro. É a edição, possível, de apenas 500 exemplares.

quinta-feira, setembro 04, 2008

"A História das Coisas" ou... o mundo em extinção!

Um vídeo muito "didático" que, de forma simples e entre muitas outras coisas, conta como a sociedade ocidental industrializada vive à custa dos países mais pobres... (Para visualizar, "clicar" no título ou aqui)
(Com um agradecimento ao "Espaço Centoecatorze")

Seminário sobre sustentabilidade em Braga


Seminário e sessão de trabalho (workshop) a realizar dias 26 e 27 de Setembro, em Braga, sobre o tema premente da sustentabilidade. De particular interesse a demonstração de construção em terra pelos arquitectos Renato de Brito e Rute Eires.

quarta-feira, agosto 13, 2008

Liceu de Caudry - uma escola eco-sustentável

Sempre me fascinaram as viagens como momentos privilegiados de apendizagem.
Fiquei maravilhado com a leitura do livro de Goethe "Viagem à Itália". Aí o trajecto do poeta motra-nos a vivência iniciática duma aprendizagem feita através do ver atento da paisagem, dos edifícios, dos homens.
Nada escapa à sua curiosidade: a geologia das ravinas, as plantas que observa no Jardim Botânico, os edifícios, tudo ressalta daquela visão penetrante.
Não se trata apenas do olhar passivo. É um ver reflexivo que pergunta, que capta e faz compreender o que nos cerca. A lição de Goethe é assim uma das mais extraordinárias aventuras do espírito de auto-aprendizagem.
Foi com esta referência que me meti a caminho num percurso de milhares de quilómetros com os meus amigos arquitectos Luís Pinto Faria e Queirós.
Além da viagem seria a experiência dum percurso longo, metidos numa auto-caravana já um tanto gasta de outras viagens anteriores.
Assim, para além de procurar "ver" atentamente a paisagem e os lugares que nos levariam à região do Ruhr, para uma visita de estudo a convite do meu amigo Herbert Dreiseitl do projecto ecológico de reabilitação da área envolvente do rio Emscher, teríamos a "prova" de uma vivência de milhares de quilómetros juntos no calhambeque ruidoso que era esta minha auto-caravana.
Desta experiência, não menos rica de aprendizagem, que nos levou à beira de um acidente na auto-estrada onde caía uma chuva torrencial, ao roubo da nossa câmara de víedo num self-service dum shoping, até ao dormir agitado nas áreas de serviço das auto-estradas para poupar tempo e dinheiro, tudo concorreu para esta espécie de "Paris-Dakar" cultural que, no nosso caso, nos levou do Porto até ao Emescher Park, na área do Ruhr, onde ficamos alojados na pequena aldeia de Gelsenkirchen, no norte da Alemanha.
Mas o que aqui quero relatar hoje, como pormenor acidentado e rico de experiências dessa viagem, foi a visita que fizemos a Caudry, uma pequena vila em França, perto de Cambrai, já muito próximo da fronteira com a Bélgica.
Fomos ver, sob indicação do professor Lefebvre, da Faculdade de Arquitectura de Paris, um liceu especial, cuja arquitectura era da responsabilidade do conhecido arquitecto Lucien Kroll.
Este edifício insere-se numa experiência pedagógica integrada num programa especial conhecido como construções de "alta qualidade ambiental" (haute qualité environementale).
Este programa, especialmente concebido para edifícios escolares tem um interesse muito especial. Trata-se de dar uma resposta ecológica aos edifícios públicos para que se tornem peças exemplares.
No caso das escolas isto tem um interesse suplementar. As crianças e os jovens aprendem a gerir lugares especiais e ao vivenciarem uma experiência de vida num meio ambiente ecológico, tornam-se os melhores defensores destes novos "dispositivos topológicos" para uma sociedade ecologicamente sustentável.
Esta filosofia pedagógica parece-me essencial para Portugal e constituiria uma forma concreta de exemplarmente se fazer pedagogia social para uma mudança de paradigma.
Vejamos, em traços largos, como é que Lucien Kroll realizou a proposta para um liceu que, programaticamente deveria ter em conta os seguintes requisitos: Escolha de materiais não tóxicos e recicláveis; Poupança hídrica e reutilização das águas das chuvas; Redução de gastos energéticos; Implantação ecológica na paisagem. A aposta do arquitecto foi a de construir, duma forma integrada e a uma pequena escala (escala doméstica), o conjunto de edificações e lugares de apoio ao liceu. Serviços administrativos e cantinas, pequena horta e jardins articulam-se com edifícios de salas de aulas e oficinas. Uma clara estratégia pedagógica revela-se neste "modelo" descentralizado e com preocupações de eco-sustentabilidade.
Os edifícios são na sua maioria construídos de madeira, material reciclável por excelência.
A bioclimatização faz-se através de estufas de vidro inseridas no próprio processo de articular as construções. Sistemas de ventilação, árvores, pequeno lago, disposição solar, inércia térmica dos materiais são os principais processos para uma bioclimatização solar passiva.
Com este "eco-sistema" poupam-se gastos energéticos substanciais pois este tipo de bioclimatização regulariza o essencial das variações térmicas.
A organicidade das formas e o paisagismo envolvente, dão à edificação um carácter acolhedor e humanizado.
Trata-se de uma aproximação holística à arquitectura e ao território: a construção dos edifícios conjuga-se e torna-se paisagem. E a paisagem é a consciencialização plástica e ecotécnica do ecosistema visando objectivos dum desenvolvimento durável, ou seja dum ecodesenvolvimento que, como se expressa no texto de Brundtland, "tem em conta as necessidades actuais sem comprometer as necessidades das gerações futuras".

Jacinto Rodrigues
Professor catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto
(In
Jornal "a Página" , ano 11, nº 114, Julho 2002, p. 10)

sábado, julho 26, 2008

Novo livro do Professor Jacinto Rodrigues


Foi recentemente publicado um novo livro do Professor Doutor Jacinto Rodrigues. Trata-se de uma colectânea onde "o autor faz uma reflexão sobre a problemática da ecologia. Explicita perspectivas para o desenvolvimento ecologicamente sustentado. Pensa processos que facilitem um decrescimento sustentável em relação a pretensas necessidades do consumismo.
São aqui apresentadas acções exemplares que podem constituir alternativas ao ensino e que estabelecem medidas de transição face ao actual modelo insustentável de sociedade dominante."
Jacinto Rodrigues é Professor Catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), onde rege actualmente a cadeira de "Ecologia Urbana". É investigador do Centro de Estudos Africanos da Faculdade de Letras da mesma Universidade.

segunda-feira, junho 02, 2008

Nova visita à Palhota


Fizemos uma nova visita à aldeia da Palhota. Desta vez tratou-se de uma iniciativa integrada no "Projecto de Candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional", do qual falaremos com maior detalhe mais adiante. Saliento que foi nesta aldeia que Alves Redol escreveu parcialmente o seu "Gaibéus".

segunda-feira, abril 28, 2008

O desastre ambiental dos biocombustíveis... ou como nem tudo o que parece verde é!

Os biocombustíveis são um desastre ambiental, estão a agravar a fome no mundo e a contribuir ainda mais para ao aumento do efeito de estufa. Há já regiões do mundo onde se têm verificado revoltas pelo aumento generalizado dos cereais.
"(...) Se os biocombustíveis não podem ser produzidos em habitats virgens, ficam confinados à terra agrícola existente o que significa que sempre que enchermos o depósito do carro estaremos a tirar comida da boca das pessoas. Isto, por sua vez, vai conduzir ao aumento do preço da alimentação, o que estimula os produtores a destruir os habitats selvagens – florestas e tudo o resto – para os produzirem. Poderemos ficar descansados com a moralidade das nossas leis, mas os impactos vão ser os mesmos. Não há saída para isto: num planeta finito com alimentos limitados ou competimos com os famintos ou cultivamos mais terras. (...)"
Excerto de um texto de George Monbiot
Publicado no jornal GUARDIAN a 12 de Fevereiro de 2008 (clicar para ler texto completo)
O tema é amplamente comentado e debatido no BIOTERRA

terça-feira, janeiro 22, 2008

Jornadas Quercus de Arquitectura Sustentável

O Núcleo Regional do Porto da Quercus está a organizar, para os dias 23 de Fevereiro, 29 de Março, 19 de Abril e 24 de Maio no Museu Nacional Soares dos Reis, as “Jornadas Quercus de Arquitectura Sustentável”.
Para mais informações basta "clicar" aqui, ou na palavra sublinhada.

sexta-feira, novembro 09, 2007

"Boassas - Uma aldeia com história"... o livro


Vai, finalmente, ser editado no próximo mês de Dezembro o livro "Boassas. Uma aldeia com história". A APOBO associa-se ao lançamento através da sua divulgação. Assim, os associados que reservem até 30 do corrente um ou mais exemplares da obra beneficiarão de um desconto de 20% sobre o preço de capa.
Para efectuar reserva ou obter mais informações:
Telemóvel: 968175718 ou 919346388

domingo, outubro 07, 2007

TGV - "TRAVAR PARA PENSAR"

Chegou-nos por "e-mail" o seguinte texto que consideramos de grande acutilância e pertinência. Transcrevemo-lo, com a devida vénia ao autor, apesar de não estar assinado. O texto chama-se:

*Travar para pensar*

"Há uns meses optei por ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dei comigo num comboio que só se diferenciava dos nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros.

A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.

Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos.

Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza.

A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.

Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos, nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.

O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.

É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos).

É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à economia do País.

Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um).

Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.

CABE ao Governo REFLECTIR.

CABE à Oposição CONTRAPOR.

CABE AOS CIDADÃOS MANIFESTAREM-SE!!!

CABE À TUA CONSCIÊNCIA REENCAMINHAR OU DEIXAR FICAR!!!"

terça-feira, setembro 11, 2007

A vida e obra do Padre Himalaya, hoje na RTP2


A intuição do Padre Himalaya, de que a energia solar e outras energias renováveis poderiam vir a tornar-se as energias do futuro, tornaram-no pioneiro daquilo que hoje se pode definir como desenvolvimento ecologicamente sustentado.

Em 1904 em St. Louis, Missouri, EUA, muita gente admirava a gigantesca estrutura de aço, onde milhares de espelhos reflectiam a luz do sol, e 80 m2 de superfície obtinham 3500º de temperatura. O pireliófero do Padre Himalaya fazia entrar Portugal na história das energias renováveis, há mais de cem anos.

Assim, em 1904, um português, conhecido como Padre Himalaya, recebia o "Grand Prix" na Exposição Mundial de St. Louis, nos EUA, por um engenho - chamado pireliófero - que utilizava a energia solar para derreter rochas e metais.

A obra do Padre Himalaya foi redescoberta em meados dos anos 90 pelo Professor Doutor Jacinto Rodrigues, que editou então um livro chamado "A Conspiração Solar do Padre Himalaya"...

O documentário recentemente realizado por Jorge António irá passar hoje, pelas 23,30h, na RTP2. A não perder!!!!...

sexta-feira, maio 18, 2007

Construir em madeira


“A madeira é um material altamente reutilizável, aproveita a energia solar e o CO2 atmosférico para a sua geração e, por sua vez, consome pouca energia para a sua transformação sem produzir no seu processo resíduos contaminantes.

O aproveitamento construtivo de madeiras certificadas retira por grande período de tempo grandes quantidades de CO2 atmosférico (1,8 Tm.de CO2 por cada Tm. de madeira) o que facilita o cumprimento dos compromissos de Kioto sobre as alterações climáticas. O aproveitamento dos produtos florestais com gestão certificada melhora os bosques e possibilita um maior desenvolvimento social do mundo rural.”

Tradução livre do texto extraído do 1.º concurso da Cátedra de la Madera de Castilla y León “Construir con Madera” (www.uva.es/agoras.arq)

Nota: Em Portugal a construção em madeira é apenas residual, no entanto somos dos maiores consumidores mundiais de betão. Sintomático disso mesmo é o facto de o concurso português mais importante ser patrocinado por uma empresa de cimento... Por outro lado há também um preconceito e ignorância enraízados sobre este (tão nobre) material.

segunda-feira, março 19, 2007

Crescimento, decrescimento sustentável e desenvolvimento ecologicamente sustentável. (Parte I)

Introdução

É frequente considerar-se a questão ecológica como uma problemática dos países ricos. Mas é cada vez mais insustentável tal cegueira, pois esta questão é da maior pertinência e diz respeito à humanidade inteira. Há alguns dias, estiveram reunidos em África, no Quénia, na cidade de Nairobi, entre o dia 6 e 17 de Novembro de 2006, mais de 6000 delegados de quase todos os países do mundo que procederam a uma reflexão sobre a mudança climática no planeta. O vice-presidente do Quénia, Moody Awori, declarou que a mudança climática é uma das ameaças mais graves à qual a humanidade foi confrontada.

Há alguns dias, o ex-vice-presidente e ex-candidato à presidência dos E.U.A., Al Gore, apresentou um filme “Uma verdade que incomoda” em que são referenciadas eventuais catástrofes ecológicas, resultantes, nomeadamente, de perturbações climáticas, se não mudarmos, nos próximos 10 anos, o actual modelo de crescimento económico.

Também, há poucas semanas, o Relatório do economista do Banco Mundial, Nicolas Stern, alertava para uma crescente subida de temperatura no planeta, fazendo prever graves consequências se não se proceder a mudanças estruturais.

É dramático constatar-se que a África, embora seja o continente menos responsável por este modelo de civilização tecnológica imposto a partir do ocidente, é hoje a região mais vulnerável do planeta, como afirmaram os congressistas de Nairobi.

Os efeitos da mudança climática conjuntamente com as consequências negativas dos processos agro-industriais e urbanos implantados em África e o saque dos bens naturais, são hoje cada vez mais visíveis:

a) O lago do Chade (um dos maiores do planeta) tem hoje 1/10 da superfície que tinha em 1963;

b) As zonas húmidas do Quénia e as neves do Kilimanjaro, estão a desaparecer, prevendo-se perturbações climáticas na zona;

c) As epidemias como a malária, cólera, desinteria, sida, etc. dizimam largos sectores da população;

d) Várias catástrofes (inundações diluvianas ao mesmo tempo que desertificações incontroláveis) assolam o continente africano já ferido por guerras e deslocações massivas da população;

É neste contexto que Wansari Muto Maathay, Prémio Nobel da Paz em 2004, criou o movimento cinturão verde plantando, num gesto simbólico e concreto, mais de 30 milhões de árvores, graças, sobretudo, à abnegação e esforço das mulheres africanas.

Esta professora universitária do Quénia, cientista e militante ecológica, declarou que a defesa do meio ambiente é, hoje, o caminho para a Paz. Referiu, no III Forum Internacional de Comunicação, que “precisamos de elevar o nível da nossa consciência moral e ter uma perspectiva ética em relação aos recursos naturais...Os países ricos exploram os recursos naturais dos pobres e os poucos ricos dos países pobres fazem o mesmo. A nossa forma de lutar contra a pobreza é lutar contra esta forma de hiperconsumo, não apenas no mundo industrializado, mas também nos países em desenvolvimento onde lamentavelmente estamos copiando o mundo rico em detrimento do nosso povo. Se seguirmos por este caminho corremos um enorme risco...

É necessário tomar consciência do risco e da gravidade da situação, deixar de pensar apenas nas vantagens a curto prazo para promover políticas de longo prazo.”[1]

Nos últimos anos o discurso da filosofia, no ocidente, parece ser cada vez mais consensual no sentido de pretender ultrapassar o paradigma mecânico newtoniano, através dum pensamento ecologizado que faça ressaltar a achega sistémica e a abordagem da complexidade. Emerge assim uma nova coerência paradigmática, científica e experimental. Até mesmo na vida quotidiana este pensamento ecologizado ganha cada vez mais pertinência. O que está a mudar?

Tomando Descartes (1596-1650) como pensador paradigmático do mecanicismo, podemos, no Discurso do Método[2], revelar a concepção do mundo que vem do séc. XVII até aos nossos dias.

Resumem-se em 5 pontos as linhas essenciais dessa concepção do mundo:

  1. O reducionismo, que pretende separar as partes do todo;
  2. A identidade analítica, que estabelece limites definidos;
  3. A não contradição e o terceiro excluído, que fundamentam o discurso binário da mecanicidade;
  4. O causalismo linear, que tende a explicar pelo passado e duma forma determinística o presente e o futuro, excluindo as forças endógenas no processo evolutivo;
  5. As etapas do progresso social, sempre evoluindo linear e automaticamente, como resultado do progresso técnico-científico assente na miragem de recursos naturais, sem limites.

Volvidos cerca de 350 anos sobre esta referência cartesiana, a obra de Edgar Morin[3] publicada na década de 70/80 do séc. XX, revela o paradigma emergente em que vivemos opondo aos 5 pontos cartesianos os seguintes fundamentos do novo pensamento orgânico:

  1. A complexidade explicita um novo olhar onde não é possível compreender os fenómenos sem a relação do uno e do multiplex;
  2. O dialogismo ou a interacção simbiótica revela o fim das fronteiras, mostrando uma realidade dinâmica que não se compadece com o positivismo estático da anterior concepção;
  3. A contradição, a diferença e a biodiversidade constituem um elemento essencial para conhecer a realidade;
  4. O processo circular entre causa e efeito, sistemicamente interactivos, e que se opõe à explicação do determinismo linear;
  5. A crítica reflexiva trazendo o abandono das grandes narrativas metafísicas e exigindo uma pilotagem permanente da consciência sobre os processos fenomenológicos. Em vez de grandes explicações totais prefere-se uma fenomenologia processual e crítica, permanentemente auto-avaliada.

Estas novas preocupações estão ainda longe de serem consensuais.

Gregory Bateson,[4]um dos pioneiros do pensamento ecológico, refere que esta concepção se desenvolve com a interacção dos interlocutores numa constante e sistémica descodificação mútua entre emissor e receptor. Como o pensamento ecológico é dinâmico vai-se metamorfoseando com o impulso endógeno e a ressonância externa. Não é uma revelação caída do céu. Resulta duma simbiose entre as pessoas e da interacção dessas pessoas com o meio envolvente. Assim, este novo processo morfogenético faz-se numa problemática de complexidade sistémica na medida em que os saberes e competências se vão adaptando e mudando nos processos civilizacionais. A reforma do pensamento[5] vai-se assim revelando face à mudança da sociedade e das instituições, ao mesmo tempo que intervém sobre elas. Daqui resulta a criação sucessiva de coerências, ou seja, de formas paradigmáticas. Porém, esses paradigmas voltarão a metamorfosear-se sem contudo desaparecerem as formas de consciência e pilotagem dessas novas metamorfoses. Deste modo é possível um trabalho de reflexão e organização sobre o próprio pensamento. Esta atitude epistemológica desenvolve metodologias e horizontes do saber que permitem uma inteligência colectiva, inteligência simbiótica que, como nos diz Pierre Levy, mutualiza conhecimentos. Refere ainda Levy que a noção de ecosistema é particularmente interessante porque permite pensar, simultaneamente, na interdependência do mesmo espaço unitário, a diversidade, a evolução e a mudança. “Torna-se assim possível seguir integralmente os ciclos de transformação no universo simbólico (cultural) em vez de procurarmos na finalidade imediata do circuito disciplinar.”[6]

Dito de outro modo, é estabelecer uma forma interactiva do pensar que articule o diacrónico e o sincrónico, o universal e o local, o aqui e agora na metamorfose sequencial dos processos evolutivos.

Esta rede da inteligênca colectiva religa abstracto e concreto, permitindo um olhar macroscópico tal como desenvolveu Joel Rosnay[7]

Estas são as novas premissas, que dão maior coerência ao paradigma emergente em que vivemos. É preciso, no entanto, desenvolver esta nova maneira de pensar com o religar conhecimentos[8], tal como tem vindo a ser propalado pelos filósofos da complexidade e da sistémica, Edgar Morin[9], Basarab[10], Rosnay e outros. É ainda de referir a necessidade de constituir uma “nova visão do mundo” como assinala Basarab Nicolescu.[11]

Basarab mostra-nos como a nova visão do mundo terá que se constituir a partir da intersecção de diferentes domínios do saber. Por isso, diz-nos que a disciplinariedade, a pluridisciplinariedade, a interdisciplinariedade e a transdisciplinariedade não são antagónicas: constituem “as quatro flechas dum só e mesmo arco do conhecimento”[12].

Este novo paradigma abre-se para o descontínuo da física quântica, mostrando a existência de vários níveis da realidade que funcionam com lógicas diversas. Tal como Bachelard, Habermas e Lupasco admitiram, as ciências ético-normativas, o humanismo estético-expressivo e o pensamento técnico-operativo, possuem lógicas diversas que caracterizam modos diferentes da apreensão da realidade: compreender, descrever e explicar explicitam registos diferenciados sobre fenómenos e vivências da realidade complexa.

Humberto Maturama e Francisco Varela[13], no seguimento do trabalho de Prigorgine, mostram-nos como os seres vivos se caracterizam pelo facto de se auto-construirem constantemente. Este facto, a que os dois biólogos chilenos chamaram “autopoïese”, revela-nos que nos sistemas vivos existe “uma rede fechada no plano da organização. No entanto, em relação ao exterior a rede é aberta, assegurando a circulação da matéria e energia necessárias à manutenção da sua própria organização e à regeneração contínua da sua estrutura.”[14]

Esta abordagem afasta-nos da concepção dum universo totalmente previsível. É uma abertura para a incerteza mas também para a possibilidade duma construção criativa.

Esta forma de pensamento foi concomitante com o desenvolvimento da ecologia. A ecologia, em constante metamorfose, tem vindo a constituir-se como uma teoria científica explicitada do seguinte modo:

a) É uma abordagem sistémica e transdisciplinar;

b) É uma fenomenologia da complexidade;

c) É uma fundamentação dos ecosistemas, baseada na circularidade dos metabolismos e não no determinismo linear, típico das máquinas;

Foi Vernadsky[15], com o livro sobre a biosfera - tese que defendeu em França durante os anos 20 - quem conceptualizou a vida do planeta como uma totalidade. Esta concepção abriu a porta para a teoria dos ecosistemas, considerando assim a vida, como um conjunto indivisível – a biocenose – que se insere (em condições específicas) na matéria bio-inerte, o biótopo.

O desenvolvimento da ecologia foi um longo processo. Desde o seu aparecimento formal, atribuído a Haeckel (a 1ª pessoa a utilizar o termo ecologia) desenvolveram-se muitas contribuições para esta teoria científica. A contribuição de Tansley permitiu a melhor compreensão do estudo dos ecosistemas marinhos e lacustres. Os ciclos bioquímicos da ecologia foram objecto de várias contribuições como Odum e outros. Por outro lado, a teoria dos sistemas de Von Bertalanfy, Neumann e Gregory Bateson alargou as perspectivas metodológicas à investigação ecológica.

Abel Wolman foi um dos primeiros cientistas a trabalhar sobre a sistémica dos fluxos urbanos e nos territórios em geral. Muitos são hoje os especialistas desta temática como por exemplo Giorgio Nebia, Virginio Bettini[16] e outros.

Por outro lado, as investigações sobre os ecosistemas fechados como a reconstituição artificial de ecosistemas que se automantêm, levaram às experiências de Clair Folsome que, nos anos 60, realizou as ecosferas, miniaturas simplificadas da biosfera. Trata-se de um pequeno aquário (uma bola de vidro com água, um pouco de terra e ar) onde uma pequena alga serve de alimento a camarões minúsculos (crill) cujos dejectos servem de alimento à alga e que, por sua vez, são decompostos por pequenas bactérias no ciclo geral de produtores, consumidores e decompositores.

As modelizações destes ecosistemas fechados permitiram muitos estudos aos cientistas russos e americanos, empenhados nas pesquisas sobre naves espaciais.

A experiência mais conhecida foi a da Biosfera 2. Oito “bionautas” viveram num mundo miniatura (uma estufa gigante com 1,2 hectares e com biomas miniaturizados) onde bactérias, vírus, fungos, plantas e animais viviam interligados em ecosistemas complexos.

Isto permitiu o estudo dos processos retroactivos entre as várias comunidades e o biótopo ali preparado.

A experiência da Biosfera 2, tendo embora falhas, permite ainda hoje o estudo significativo destes modelos e simulações úteis ao conhecimento da natureza e do ecosistema, dos fluxos energéticos e do metabolismo circular, muito embora não se deva confundir tais experiências laboratoriais com a realidade dos ecosistemas abertos.

Foram contudo estas experiências que contribuíram para os trabalhos de John Todd que desenvolveu processos de bioregeneração dos ecosistemas.

John Todd, a partir das experiências iniciadas no New Alchimist Institut, criou conjuntos de ecosistemas para a biodepuração de águas residuais. Estas e outras experiências, resultantes da observação de processos da natureza e do conhecimento botânico de certas espécies filtrantes, levaram à realização de inúmeros modelos. Desde as biotecnologias da chamada “bioremediation” até aos jardins filtrantes e aos jardins úteis e agradáveis, sucedem-se uma longa lista de experiências que têm permitido o tratamento biológico das águas usadas, de uma forma cada vez mais perfeita (permitindo a sua revitalização em água potável) e em contextos paisagísticos com preocupações estéticas.

Trata-se de uma visão cada vez mais clara da problemática ecológica e da especificidade de um funcionamento vivo dos ecosistemas[17].

(Fim da 1.ª parte)

Professor Doutor António Jacinto Rodrigues (catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universiade do Porto) 2007

[1] http//www.rvb.jor.br/wangari.htm

[2] R. Descartes, “Discours de la Méthode”, Ed. Pléiade

[3] Edgar Morin, “La Méthode”, Ed. Seuil, Paris

[4] Gregory Bateson, “Vers une ecologie de l’esprit”, Ed. Seuil, Paris 1977

[5] Edgar Morin, “Reforma do Ensino”, Ed. Inst. Piaget, 2002

[6] Pierre Levy, “Cyberdemocracy”, Ed. Odile Jacob, Paris, 2002

[7] Joel Rosnay, “Le Macroscope”, Ed. Seuil, Paris, 1975

[8] vários autores”Relier des connaissances”. Ed. Seuil, Paris

[9] Edgar Morin, “Introdução à Complexidade”, Ed. Piaget, “Reformar o Pensamento”, Ed. Piaget,

[10] Basarab Nicolescu, “Manifesto da transdisciplinariedade”, Col. Trans, Brasil, 2001

[11] idem

[12] Basarab Nicolescu, “Transdisciplinarity-transdisciplinarité”, Ed. Hugin,Univ.Évora, Inst.Sup.Cabo Verde, 2000

[13] Ver A. Mathiew, L’Agora, vol. 4, nº3, 1997

[14] Idem

[15] Vladimir Vernadsky, “Biosphere”, Ed. Felix Alcan, 1929

[16] Organização de Virginio Bettini, “Elementos de ecologia urbana”, Ed. Trotta, Madrid, 1998

[17] Jacinto Rodrigues, “Sociedade e Território-Desenvolvimento Ecologicamente Sustentado”, Profedições, Porto, 2006

segunda-feira, março 05, 2007

Tanto para (re)aprender...

Carta de um índio ao Presidente James Monroe (Presidente dos Estados Unidos da América de 1817 a 1825)

«O Grande Chefe de Washington mandou fazer-nos saber com palavras de boa vontade que nos quer comprar as terras. Muito agradecemos a sua atenção, pois sabemos demasiado bem a pouca falta que lhe faz a nossa amizade.
Queremos considerar esta oferta porque também sabemos demasiado bem que, se o não fizéssemos, os caras pálidas nos arrebatariam as terras com armas de fogo.
Mas, como podeis comprar ou vender o céu ou o calor da terra? Esta ideia parece-nos estranha. Nem a frescura do ar, nem o brilho das águas nos pertencem. Como poderiam ser comprados? Deveríeis saber que cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. A folha verde, a praia arenosa, a neblina no bosque, o amanhecer entre as árvores, os pardos insectos... são experiências sagradas e memórias do meu povo.
Os mortos do Homem Branco esquecem a sua terra quando começam a viagem através das estrelas. Os nossos mortos, pelo contrário, nunca se afastam da terra, que é a mãe. Somos uma parte dela, e a flor perfumada, o veado, o cavalo e a águia majestosa são nossos irmãos. As encostas escarpadas, os prados húmidos, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família.
A água cristalina que corre pelos rios e ribeiros não é somente água, também representa o sangue dos nossos antepassados. Se vo-la vendêssemos, teríeis que recordar que são sagrados e ensiná-lo aos vossos filhos.
Também os rios são nossos irmãos porque nos libertam da sede, arrastam as nossas canoas, procuram-nos os peixes. E além do mais, cada reflexo fantasmagórico nas claras águas dos lagos relata histórias e memórias da vida das nossas gentes, o murmúrio da água é a voz do pai do meu pai. Sim, Grande Chefe de Washington, os rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede, são portadores das nossas canoas e alimento dos nossos filhos. Se vos vendermos a nossa terra teríeis que recordar e ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos e também seus. É por isso que devemos tratá-los com a mesma doçura com que se trata um irmão.
Claro que sabemos que o homem branco não percebe a nossa maneira de ser. Para ele um pedaço de terra é igual a outro pedaço de terra, pois não a vê como irmã, mas sim como inimiga. Depois de ela ser sua, despreza-a e segue o seu caminho.
Deixa para trás a campa dos seus pais sem se importar. Sequestra a vida dos seus filhos e também não se importa. Não lhe importa a campa dos seus antepassados nem o património dos seus filhos esquecidos. Trata a sua mãe terra e seu irmão firmamento como objectos que se compram, se exploram e se vendem, tal como as ovelhas ou as contas coloridas. O seu apetite devora a terra deixando atrás de si um completo deserto.
Não consigo entender. As vossas cidades ferem os olhos do Homem Pele Vermelha. Talvez seja porque somos selvagens e não o podemos compreender. Não há um único lugar tranquilo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desenrolar das folhas ou o rumor das asas de um insecto na Primavera.
Talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo bem as coisas. O barulho da cidade é um insulto para o ouvido. E eu pergunto-me “Que tipo de vida tem o homem que não é capaz de escutar o grito solitário de uma garça ou a discussão nocturna das rãs ao redor de uma jangada?”. Sou um Pele vermelha e não o consigo entender. Nós preferimos o suave sussurro do vento sobre a superfície de um lago e o odor deste mesmo vento purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado com o aroma dos pinheiros.
Quando o último Pele Vermelha tiver desaparecido desta terra; quando a sua sombra não for mais que uma lembrança como a de uma nuvem que passa pela pradaria, mesmo então estes ribeiros e estes bosques estarão povoados pelo espírito do meu povo. Porque nós amamos este país como uma criança ama os batimentos do coração da sua mãe.
Se decidisse aceitar a vossa oferta teria que vos sujeitar a uma condição: que o homem branco os animais desta terra como irmãos. Sou selvagem e não compreendo outra forma de vida.
Tenho visto milhares de búfalos apodrecendo, abandonados nas pradarias, abatidos a tiro pelo homem branco que dispara de um comboio, que passa. Sou selvagem e não compreendo como uma máquina fumegante pode ser mais importante que o búfalo, o qual apenas matamos para sobreviver.
O que é o homem sem os animais? Se os animais desaparecessem o homem morreria de uma grande solidão. Tudo o que acontece aos animais acontecerá também ao homem brevemente. Todas as coisas estão ligadas.
Devíeis ensinar aos vossos filhos o que nós ensinámos aos nossos, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontece à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem em si mesmos.
Sabemos uma coisa que talvez o Homem Branco descubra algum dia: a Terra não pertence ao Homem, é o Homem que pertence à Terra. Tudo está interligado, como o sangue que une uma família. O Homem não teceu a trama da vida. Ele é apenas um fio. O que faz com essa trama fá-lo a si próprio. Nem sequer o Homem Branco, com quem o seu Deus passeia e fala de amigo para amigo, está isento do destino comum. Depois de tudo, talvez sejamos irmãos. Logo veremos.
(...) Também os brancos se extinguirão, talvez antes das outras tribos. O homem não teceu a rede da vida. É apenas um desses fios e está a tentar a desgraça se ousa destruir essa rede.
Tudo está ligado entre si como o sangue de uma família. Se sujardes o vosso leito, uma noite morrereis sufocados pelos vossos excrementos.
Mas vós caminhareis até à destruição, rodeados de glória e esplendor pela força de Deus, que vos troxe a esta terra e que por algum especial desígnio vos concedeu domínio sobre ela e sobre o Pele Vermelha. Esse desígnio é um mistério para nós, pois não entendemos porque se exterminam os búfalos, se domam os cavalos selvagens, se enchem os recantos secretos de um bosque com o hálito de tantos homens e se cobre a paisagem das exuberantes colinas com fios faladores.
Onde está o bosque denso? Desapareceu.
Onde está a águia? Desapareceu.
Assim se acaba a vida e só nos resta a possibilidade de tentar sobreviver.»

Texto extraído da revista «Ecos do ambiente, n.º 3, Fevereiro de 2000 - Revista do Geonúcleo - Núcleo de ambiente da Universidade Fernando Pessoa»